FANS DO TURCA

domingo, 5 de maio de 2013

PRA PIOR NÃO TEM LIMITES


Depois da fusão de um grande banco do qual eu trabalhava com outro maior ainda, era uma questão de tempo que as áreas começassem a sofrer cortes e uma sequencia de reformulações infindáveis que durariam anos. Inclusive isso já aconteceu há quatro anos e as reformulações não param.
As cabeças dos Diretores, Superintendentes e Gerentes apadrinhados da organização menor começaram a ficar a premio.
Eram tempos de insegurança. O Banco mandava embora pessoas de forma pulverizada e escalonada de maneira que não chamasse a atenção do Sindicato.
Com um monte de gente de cargos hierárquicos altos pendurados, a empresa tinha que dar um jeito de arrumar um lugar para eles para não passar um recado ruim ao mercado e muito menos disponibilizá-los aos concorrentes de mão beijada.
Então, aconteceu um movimento de esparramar esse pessoal nas empresas coligadas do grupo.
Era muito simples, pegava-se uma das empresas menores do grupo, mandavam embora todos os executivos que lá estavam e nas cadeiras deles, distribuíam seus apadrinhados sem que houvesse muita preocupação com o perfil de cada um ou o que eles poderiam colaborar com o negócio.
Dessa maneira, uma legião de executivos dos quais eu tinha trabalhado no passado estavam agora em outra empresa do grupo que iria encarar um cenário competitivo muito forte pela frente.
Não demorou muito para que eu recebesse uma proposta de lá. Proposta essa que na ponta do Lápis não tinha muita diferença de onde eu estava.
A única coisa de fato que mudaria seria a atividade que iria exercer. Como eu já estava há nove anos no Banco e minhas ambições já tinham sido derretidas ao longo destes anos, entendi que já tinha passado da hora de partir.
Então encontrei uma nova empresa que passará de 500 a 1000 funcionários da noite por dia no desespero de se preparar ao novo cenário competitivo que estava encontrando.
Ao chegar lá me deparei com uma empresa repleta de pessoas “foragidas ou resgatadas” de outras empresas do grupo. Eu inclusive me enquadrava na condição de resgatado.
Na maioria delas não se enxergava Know-how para as atividades que iriam exercer.
Era o que se chegava mais próximo de um “Bando”.
Fiquei lá na área comercial um ano e dois meses.
As estruturas comerciais eram novas e ninguém tinha vindo desse mercado. Tudo era feito na base da Tentativa e erro. Durante o período em que fiquei lá foram 14 tentativas sem nenhum êxito. Uma por mês.
Na Área chamada “Planejamento” não se planejava nada, do Diretor até o menor Analista pareciam que falavam outra língua.
O Diretor Geral estava mais perdido que o Padre dos Balões.
O Diretor Comercial estava mais preocupado com adesivos que com resultados.
Mas o grande chamariz da empresa era o Bônus pago mensalmente para o cumprimento das metas.
Quando eu cheguei encontrei meus pares rindo de orelha a orelha com os valores que eles já tinham embolsado nos meses anteriores.
Dava-se uma meta de 50 unidades para se vender e eles vendiam 950.
Fruto “é claro” de um excelente planejamento de metas.
Não demorou dias depois que cheguei para mudarem a Meta e então de 50 passou para 8.500
Realmente, mudança que motivou muito a equipe de vendas. Ninguém mais bateu meta e o clima automaticamente começou a pesar.
Minha área era regionalizada e quando eu fui contratado, estava acertado que iria cuidar da região do ABC. Região próxima da minha residência.
Três dias depois que entrei já fui direcionado a atender o Vale do Paraíba – Vale do Ribeira Litoral Sul e Litoral Norte. A Minha alegria era tremenda.
Além da distância de uma para outra, também eram as que possuíam os piores resultados, logo não bateria minhas metas tão cedo.
Em determinado momento da história de tanto tentarem e sem sucesso em obter resultados, foi feita uma alteração forte na empresa.
O Diretor geral foi destituído do cargo, pois havia no Banco outra pessoa a ser realocada e como a Moral dele com o Presidente era maior, ADEUS Diretor.
Não iria demorar para que ele trouxesse na bagagem mais uma legião de retirantes corporativos e assim foi acontecendo nos meses seguintes, até que em dado momento meu chefe foi desligado.
Agora era uma questão de tempo para chegar a minha hora assim como dos meus pares.
O Problema foi que isso demorou em acontecer.
Foram meses terríveis onde o único assunto das rodas era: Quando eu serei demitido? Você tem Plano B?
Eu tinha um Par que me ligava às 8 da manhã, às 2 da tarde e às 7 da noite TODOS OS DIAS sempre com a mesma conversa. “Eu sei que vamos ser mandados embora, blá, blá, blá”.
Ele tinha mais de 20 anos de empresa e se alguém não deveria estar preocupado lá, seria ele...
Eu já tinha trabalhado em grandes empresas e pelo clima estava evidente que isso aconteceria. Já tinha redesenhado todos meus Planos sabendo que teria um período difícil a enfrentar quando isso acontecesse.
Mas esse assunto nas rodinhas já estava me enchendo o saco.
Para fica pior, elegeram outro gestor para ocupar o lugar do meu chefe na empresa.
Meus pares eram casca grossa, já tinham tido experiências de gestão anteriores e alguns tinham qualificações até superiores ao cara para quem iriam se reportar.
Talvez por conta de saber disso que o novo gestor tinha uma postura altamente autoritária e focava 80% do tempo em ameaças ao emprego de cada um.
Na minha primeira reunião com ele agendada em um café num shopping da Zona Sul, ele apontou o dedo na minha cara e se limitou a dizer que se não batesse as metas ele iria me desligar. Levantou-se e foi embora.
Eu me limitei a ir embora rindo de tão patética exposição de gestão Antiquada.
Para falar isso a um subordinado não precisa ter NENHUM tipo de formação e Know-how.
Com o advento deste Imbecil na equação. Eu que já estava de saco cheio da desorganização daquele lugar, já estava torcendo para que nos desligassem o mais rápido possível.
Nossa equipe era constituída de oito pessoas. Quatro delas já trabalhavam com este novo gerente anteriormente. Eu e os outros três fomos as heranças malditas que ele recebeu.
Especulava-se que ele ficaria com quatro pessoas ou até mesmo com nenhum.
Um grande amigo meu que fazia parte da equipe original dele chegou a ter uma conversa com o gestor quando estava prestes a mudar de apartamento.
Nessa conversa ele foi tranquilizado sob o discurso que qualquer decisão que ocorresse, ele faria parte do time. Então, não teve dúvidas, comprou o apartamento.
Na mesma equipe podíamos perceber claramente a divisão dos grupos entre os que tinham certeza que ficariam e os que estavam com medo de ser “limados”.
Semanas mais tarde foi convocada uma reunião emergencial em uma segunda feira de manhã.
Eu fui para a reunião com a certeza que aquele seria meu último dia na empresa.
Chegando à sala, encontramos a gerente de RH e o Gestor Babaca que imediatamente pediu que três pessoas da equipe se retirassem e aguardassem na sala ao lado.
Era evidente que aquelas três pessoas seriam as preservadas e “pasmem”, meu amigo que comprou o apartamento NÃO fazia parte deste grupo.
Agora já com a certeza absoluta do que iria acontecer, passei a observar na face de cada um as expressões, especialmente aqueles que tinham certeza que iriam permanecer.
Não vou mentir...
... Eu estava rindo por dentro da arrogância deles.
Depois que ouvimos a historinha triste, fomos demitidos de forma coletiva e recebemos nossas rescisões pelas mãos da Gerente de RH.
Enquanto meus pares olhavam em choque para o envelope lacrado, o meu já estava assinado e devolvido para o RH.
Enquanto isso, nossos telefones não paravam de tocar.
Eram nossos funcionários que faziam trabalho de campo em pulverizados nas diversas regiões de São Paulo.
Das seis pessoas da Sala eu fui o único a perguntar a eles (Nosso agora ex-gestor e a gerente de RH) como ficaria a vida desse pessoal.
A Gerente de RH, uma gordinha com uma dose de arrogância maior que ela, disse com tranquilidade:
_Eles também foram desligados.
E eu tornei a perguntar. Mas de que forma se todos fazem serviços externos?
Com a mesma tranquilidade e certa que o procedimento que realizaram era muito normal:
_ Demitimos por Telegrama.
De fato, essa foi a única ocasião que eu fiquei em choque.
Como eles puderam fazer isso. Só na minha equipe eram mais de 30 pessoas e estavam trabalhando com os pais deles receberam o Telegrama em casa.
Teve gente que passou mal ao ler o telegrama, tinha gente me ligando chorando desesperada.
Eu olhei para meus ex-pares e NINGUÉM teve a menor reação. Ainda estavam catatônicos com as próprias demissões para entender o Absurdo que tinham feito com os seus funcionários.
Meu telefone não parava de tocar então perguntei para a gorda, oque eu deveria falar para eles.
A resposta foi mais absurda ainda:
_ A orientação é que você não atenda as ligações.
Olha, eu já tinha passado por experiências escrotais na minha vida, mas aquela foi a maior de todas.
Eu me levantei daquela mesa e liguei para dois dos meus funcionários, expliquei rapidamente oque tinha acontecido. Pedi calma e marquei um conference call as 18:00h para falar com todos eles.
Teve pessoas ali que NUNCA mais falaram com seus funcionários. Realmente desligaram o telefone e não deram a menor satisfação. Isso é o maior exemplo de um gestor FILHO DA PUTA.
Alguém indagou a gorda sobre o fato de alguns colaboradores morarem em áreas de difícil acesso e talvez não recebessem o Telegrama.
Mas a gorda tinha uma solução genial para isso, pois no final da tarde todos receberiam um SMS para comunica-los do desligamento.
Foi um verdadeiro Show de Horrores do RH.
Ao final do processo ela veio me perguntar em particular se eu tinha alguma coisa a dizer a respeito.
Eu disse que com relação ao meu desligamento, não tinha nada a falar e entendia a posição da empresa. Mas o que eles tinham feito com os colaboradores de campo era digno de prisão. Era um crime.
Os olhos dela ficaram cheios de lágrimas, levantei e fui embora.
Saí de lá com 970 kg a menos nas costas.
Um mês depois a Gorda já tinha mudado o perfil no linkedin, estava à disposição no mercado, também tinha rodado.
Assim como 70% das pessoas das áreas internas. Todos demitidos para dar lugar a outra legião de andarilhos corporativos.
O mais interessante dessa história foi aquele camarada que me ligava três vezes por dia para me dar notícias das demissões em massa.
Ele me liga no dia seguinte no mesmo horário, às 8 da manhã e me diz:
_ Eu fiquei surpreso com a minha demissão.
AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHH  !!!! Vá Pra PUTA QUE PARIU...
 
O TURCA

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