FANS DO TURCA

domingo, 13 de setembro de 2009

Licenças Médicas: A desculpa do VAGABUNDO !

Faz quatro anos que tenho a oportunidade em tratar com equipes de trabalhos dos mais variados perfis.

Já tratei com pessoas de nível cultural baixo, médio e alto.

Para cada um deles a postura do gestor deve ser diferente, pois precisam e anseiam coisas diferentes que exigem cada vez mais da sua capacidade de se re- inventar.

Dentro destes três níveis por incrível que pareça, encontrei uma característica que compete a todos.

A Licença médica.


Em todos estes anos, NUNCA me ausentei do posto por motivo de saúde, sempre agüentei firme porque entendia que precisavam de mim, às vezes até mais do que eu precisava deles.

Não acho errado que as pessoas se utilizem deste direito de descanso em caso de problemas de saúde.
Com atestado, vale tudo e eu respeito.

Na verdade o que eu fico abismado é quando o atestado aparece sempre em casos de:

1 – Véspera de feriado prolongado
2 – Retorno de férias
3 – Dia do desligamento do desgraçado

O Vagabundo, sempre teve uma saúde de ferro, no dia do desligamento ele consegue arrumar um atestado com alguma doença estranha como “ Dor no Pulmão” “ Hérnia de Disco” “ Dor de brioco “ etc.

Ele sabe que o gestor estará o esperando com uma faca nas mãos para recepcioná-lo e mesmo assim faz isso.

Sensacional quando retorna e depois de uma semana aparece com outro atestado.

Conheço pessoas que estão há mais de um ano afastadas por atestado.

É muita vagabundagem, Filha da Putisse !

Queria que cada médico que ajudasse a falsificar estes atestados fossem empalados por três jumentos todos os dias cada.

No centro de SP vende-se atestado por R$ 4,00.

Acho que vou comprar um alegando “SACO CHEIO” quem sabe não me aposento por invalidez.

Parabéns ao RJ, a cidade que tem mais gente encostada pelo INSS que mosquitos da Dengue.

Aliás, graças a DEUS hoje prenderam o responsável do primeiro caso de bala perdida do RJ. Dia histórico.

Deve ter sido um tiro de raspão na ponta do dedo do pé de algum trabalhador.
Neste momento está com um Atestado que o afasta por 19 anos de seu trabalho.

Parabéns!

O TURCA.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

SEO CARMO.

Seus pais eram Húngaros.

Viveram na época da segunda guerra e o velho passou parte da vida mancando por causa de uma seqüela da segunda guerra mundial quando próximo a ele estourou uma mina.

Para fugir dos fantasmas destas tragédias, vieram para o Brasil e aqui geraram aquele que 60 anos mais tarde seria meu Avô.

Calman Kachae.
Nome pouco usual, difícil de entender na realidade.
Teve infância difícil em bairro humilde da Zona Sul e trabalhou a vida toda como ferramenteiro.

Quando criança ao tentar entrar em um jogo de futebol, foi expulso do campo, pois jogava mal e ainda apanhou de um dos meninos.

Este episódio o fez odiar futebol e negros, cor do garoto que bateu nele.

Era racista ao extremo. Passou esse defeito maravilhoso para minha mãe que evidentemente também adquiri. Pelo menos até transar com a minha primeira negra.

Nunca mais fui racista. Adoro esta raça de meu DEUS.

Conheceu minha avó já tarde, ela era 10 anos mais velha que ele e já era viúva.

Tiveram minha mãe e quando eu nasci ele já estava aposentado.

Tinha estatura média, calvo e extremamente magro.

Calman era um nome difícil até para a minha avó pronunciar. Então Calman virou CARMO para facilitar.

Lembro-me na infância de ouvir os vizinhos o chamando de Seo Nelson.

Eu não entendia nada até que me falou que era conhecido assim, pois nos bares do bairro desfilava seus dotes musicais cantando músicas de Nelson Gonçalves e tocando seu violão
Além de ter uma aparência física muito próxima ao renomado Boêmio.


Nessa época enchia a cara de cachaça e chegava em casa às vezes carregado, feliz da vida. Quebrava alguns pratos e depois dormia. Só Bebia cerveja, nada de pinga ou vodca.

Isso sempre acontecia desde quando minha mãe era criança, fato esse que afastou bastante os dois. Minha mãe não se relacionava muito bem com ele.

O Sangue Húngaro maldito fazia dele uma pessoa de poucos amigos. Era muito encrenqueiro, implicava com os vizinhos e a molecada na rua . Recebia com frequencia algumas ameaças de morte de pequenos marginais da rua por causa dele.

Era um velho muito vigoroso, não ficava parado nunca. Ora mexia no carro ora na casa ou na rua.
Limpeza reforma mecânica, hidráulica. Fazia de tudo, era impressionante.

Cresci vendo aquele velho trabalhar, sempre em serviços pesados.
Construiu a casa que eu moro sozinho. Herança que me deixou.

Costumava andar como um Andarilho, com as roupas todas sujas.
Tinha um dia do mês que ele ficava irreconhecível. Era o dia de sacar a aposentadoria.

Ele colocava sua melhor roupa lavava o Fusca Branco e ia ao Banco como se fosse a um casamento.

A rua inteira ficava admirada. Ele era um Velho muito elegante “quando queria” e tinha até um pouco de charme. Deu muita pulada de cerca quando mais jovem.

Nos dias de forte calor eu ficava desesperado. Ele colocava um Short estampado como o do tarzan e saia sem camisa na rua.

Parecia uma vareta de óculos. A molecada filha da puta não perdoava e me enchiam o saco.

Outra coisa que ele fazia que me deixava a ponto de me matar era quando colocava seus discos de vinil do Nelson no último volume na garagem para a Vila inteira ouvir.

Na frente dele, ninguém falava nada, mas a mulecaaaaaada... PQP.

Gostava de presentear cachorros e gatos da rua com belos tiros de bola de ferro através de seu potente estilingue. Ele adorava quando acertava a cabeça.

Na realidade o velho tinha um sangue ruim do caralho!

Mas eu o admirava muito, especialmente quando me ensinou o que fazer quando acabava a bateria do carro.

Seo Carmo: Samir quando você crescer e tiver um carro, pode acontecer de acabar a bateria do seu carro.
Quando acontecer isso, pegue esse cabo e peça para outro motorista parar para te ajudar.

Eu ouvia atentamente a instrução.

Seo Carmo: Quando o camarada parar você diz pra ele...

Neste momento notei que ele deu uma risada especialmente sarcástica.

Seo Carmo: Você diz: "Ô meu camarada você pode vir aqui para me fazer uma CHUPETA?"

Graças a Deus nunca me acabou a bateria do carro...

Os anos passaram e um belo dia meu avô acordou com seu lado direto paralisado.

É aquele senhor com toda a vitalidade do mundo teve um derrame e estava condenado a viver o resto da vida daquele jeito.

Eu ainda era criança e era muito triste vivenciar o sofrimento dele. O velho durão ficou frágil, chorava por qualquer coisa, enrolava a língua. Era uma merda.

Qualquer coisa o deixava muito nervoso aí ele esbravejava gritava dava escândalo. Era foda!

Certa vez fui ajudar a trocar a camisa dele. Ele estava deitado, tive que deixá-lo sentado, mas ele não conseguia ficar ereto.
Ao tirar um dos braços soltei o outro e ele tombou.

Bateu a cabeça com tudo na quina da parede e ficou naquela posição com aquela cara de ódio para mim.

Eu pensei...

AGORA FODEU!

Ele olhou bem nos meus olhos e meu disse e tom suave:

- Samir “pausa média” ____________ _ _ _ _ _


_ _ _ Não me enerve !

Até hoje utilizo esta frase com pessoas que estão me deixando profundamente PUTO.

Houve outra situação que chegamos da fisioterapia e ele quis colocar uma camisa.


A camisa tinha uns 45 botões e ele com uma mão só resolveu colocá-los sem a ajuda de ninguém.


Fui para a rua e voltei depois de uma hora.
Encontrei-o colocando ainda o terceiro botão.

Não agüentei... Comecei a rir a falei bem alto:

CARALHO, ainda aí?

Estou ouvido os gritos de ódio e xingamentos dele até hoje.

Em outra ocasião resolveu Plantar uma árvore em frente de casa. Pediu que eu segurasse uma Talhadeira para ele Enfiar a marreta já que não tinha as duas mãos para fazer sozinho.
Eu fiquei desesperado, se ele errasse iria arrancar minha mão. Ele olhou para mim e disse :

Seo Carmo : Tá com medo rapaz ? Não confia no seu avô ?

Mas eu confiava nele.

Precisou de umas 6 marretadas para fazer o buraco. Quando terminado tinha a sensação de ter perdido 57 Kg .

Um segundo derrame o derrubou de vez. Ficou em estado vegetativo uns dois meses até que nos deixou.

Embora uma pessoa de personalidade muito forte e que não cultivou grandes amizades.

Em seu velório até seus inimigos declarados sentiram o pesar de sua ausência.

O Respeitavam muito por sua presença de espírito, vitalidade e garra.

Eu sinto muito a falta dele, tenho certeza que foi herança dele a força que busco para passar por cima dos meus percalços como um rolo compressor . Foi deste sangue Húngaro em minhas veias.

E hoje a única retribuição que posso dar a ele é a de não deixar morrer a letra K nos nomes dos meus futuros herdeiros.

E quando quero falar com ele, coloco-me ao lado da árvore que Plantou e tenho certeza que ele está lá para me ouvir.

Obrigado Avô. Você foi o Cara !

Fique bem, onde estiver.

Fim de papo.

Excepcionalmente hoje, O HÚNGARO.

TRAINEES O FUTURO DESTA NAÇÃO.

É só abrir uma revista Exame ou Você/SA para ver aqueles intermináveis anúncios para formação de novas turmas de Trainees.

São trainees para todos os tipos de áreas e remunerações.
A idéia principal é vender ao mercado que e empresa em está em busca de profissionais espetaculares de curriculum invejável que em pouquíssimo tempo serão os diamantes corporativos.

Necessário 67 línguas fluentes, formação em universidades Americanas, vivência no exterior etc, etc, etc.

Tudo isso para na realidade contratarem algum recém formado na Faculdade Zé Boquinha que foi indicação dos Diretores ou de algum Gerente gente boa.


As empresas investem uma bela grana para formar esse pessoal, são tratados como filhos do Departamento de RH, conhecem a empresa inteira. Algo que o mais antigo funcionário NUNCA teve a oportunidade.

Ao final do curso, conclui-se que apenas 25% da sala têm realmente perfil para permanecer na empresa.

Mas e agora? Oque fazer com o restante?

O RH da empresa jamais dará a cara à tapa e revelar que “CAGOU” na seleção.
Sendo assim, irá mantê-los no time vendendo-os internamente como excelentes promessas.

O Gestor da área que não é imbecil sabe que está sendo "entubado" e acaba aceitando o novo membro da equipe.

O que esse Gestor não sabe é que o RH ainda não terminou o serviço e para justificar o excelente investimento irá tratar a carreira deste Trainee como a do próprio filho.
Como uma mágica um cara que há dois anos era um formando de Turismo será promovido a Superintendente de Tecnologia de Informação tornando-se assim, chefe do chefe dele.

Estes tipos de procedimentos motivacionais são muito bem aceitos pelas companhias, pois seus colaboradores já recebem um novo trainee como os Hipopótamos adultos recebem os filhotes.
Com uma vontade enorme de mordê-lo no pescoço e arrancar-lhe a cabeça enquanto ainda é frágil e indefeso.

Desta forma não haverá a menor possibilidade de concorrência futura.

Parabenizo as empresas que atuam com essa dinâmica de Plano de Carreira, não há dúvida que o Mercado externo ficará encantado enquanto os colaboradores estão se matando de ódio e cortando os pulsos nos banheiros.

Fim de Papo.


O TURCA

sábado, 22 de agosto de 2009

Memória Blog do Turca: EU ACORDEI OU MORRI E FUI PARA O INFERNO ?

Há uns 6 meses eu estava tão deprimido que tinha medo até de acordar.
Era o pior momento do dia sempre ao acordar, quando abria os olhos uma enxurrada de informações ruins me vinham na cabeça.

Para eliminar este problema adotei a estratégia de antes de abrir os olhos, ligar a televisão e me manter conectado com a imagem ou com o som de alguma coisa até que possa me vestir e sair para trabalhar.

Eu ainda não cheguei à conclusão se essa estratégia me fez sentir melhor.

A primeira notícia que vejo na TV é a do recorde de trânsito de São Paulo;
A segunda notícia que vejo é a de uma chacina na zona leste;
A terceira notícia que vejo é de alguma catástrofe na Ásia;
A quarta notícia que vejo é sobre atos secretos no Senado.

Sem contar as Isabelas da vida, Ronaldinhos e afins que estão na mídia há 25 anos.

Já entrava no meu carro com as mãos trêmulas e suando frio.
Meu estômago ficava retorcido e na primeira parada que faço por conta do trânsito, tenho vontade de quebrar o vidro do carro com a minha cabeça.

Ligava o Rádio para relaxar, colocava em músicas calminhas, mas elas me faziam chorar porque qualquer história que esteja sendo cantada parecia ser a minha história.

Adotei outra estratégia, resolvi colocar nas rádios AM, agora sou especialista de economia, política, agrobusiness e orações do Padre Marcelo Rossi “O Senhor Seja Louvado e Todo Mal Acorrentado”.


Acordo todos os dias com o Luciano Faccioli batendo palminhas, dizendo a hora e informando uma péssima notícia.


No carro Joelmir Beting me dá aulas de economia e política. Assunto que adoro.

Chego no trabalhado Orando com Padre Marcelo.


Ao entrar no escritório, tenho a sensação que corri 600 km descalço sem beber água e o próximo passo será uma sessão de chicotadas com prego na ponta.

Cheguei a pensar em dormir no trabalho, pelo menos poderia pular todas essas etapas e sentir-me melhor.

O TURCA